sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Daqui pra frente....


Sabe aqueles dias em que vc acorda, toma café da manhã, sai pra resolver coisas, pega chuva, onibus lotado, tudo tão normal, e ao mesmo tempo tão anormal...
Dias em que o normal te incomoda, te faz não querer fazer nada, aí vc se pega perguntando: Porque não continuei dormindo até agora?
É estranho dias em que sentimos carência, tédio, angústia, mas ao mesmo tempo se está feliz, cheio de idéias e vontades e mais um monte de coisa sem nome.
Quero fazer tanta coisa que tenho medo de não fazer, mas não consigo parar de pensar, de estar na frente.
Então vim até aqui escrever, e será assim daqui pra frente... todos os dias em que eu sentir vontade ou necessidade ( como foi agora ) de escrever, colocar pra fóra tudo isso que está apertando o estômago, virei até aqui...
Estranho como as palavras funcionam como terapia quando são postas pra fóra, seja através de um texto como esse, ou através de uma conversa por telefone... é isso, conversa por telefone, hoje não tive nenhuma conversa das que eu gosto, com amigos de longe, amigos que amo... porque quando acordei, tomei meu café, saí pra resolver coisas, peguei chuva, ônibus lotado, meu celular descarregou...será esse o motivo do tédio? Acho que não... não sou tão escravo assim dos equipamentos eletrônicos e dos meios de comunicações evoluídos.

Ahhh...sei lá, hoje passei o dia com vontade de nada...e termino ele assim, melhor eu dormir e amanhã refazer tudo aquilo que fiz hoje e acabei nem me dando conta.

As coisas passam rápidas demais as vezes... mas isso fica pra outro texto.

Bjuss


Andrew Persí

sábado, 15 de janeiro de 2011

Todo dia quando acordo me separo de você!!

Todo dia eu acordo e me separo de você. Levanto, guardo os sonhos na gaveta da velha cômoda e troco o pijama. Saio de casa em rotineira condição. Reparo em minha própria sombra no chão e sinto falta da outra que sempre esteve ali ao lado. Como distrair o pensamento de algo que se quer pensar, mas não se deve? Como amordaçar o que se sente para não mais sentir? Não sei.

Todo dia eu acordo e me separo de você. Sigo meu caminho e busco outros prazeres. Preencho as lacunas de pensamento com chocolate e televisão. Troco os móveis de lugar para que nada me lembre o que eu não devo lembrar. E diante do espelho me convenço de que tudo isso é essencial. Chega uma hora, na vida, que temos que adotar certas medidas de segurança. É quando percebemos que só nós podemos nos salvar. Então, fica combinado assim: eu me salvo e você se salva. E a gente se vê qualquer dia. No último instante da história ou, quem sabe, nunca. Só em sonhos. Daqueles que guardamos nas gavetas da velha cômoda.

Todo dia eu acordo e me separo de você. Pago contas, anoto recados, vou ao cinema, pego transito e pareço seguir em frente. Me separo de você e de tudo o que eu não quero mais viver. E encerro qualquer possibilidade de diálogo que possa nos fazer voltar atrás. Pois o tempo não se curva. E já não somos mais os mesmos. Faz tempo.

E todo dia eu acordo de me separo de você mais um pouco...enquanto passam os anos.o tempo sorri do meu esforço diário. E já não tenho notícias suas. E já não sei o que dizer quando me perguntam """"e fulano que fim levou?"""". E percebo que aprendi a adestrar os pensamentos e lidar com as mordaças adequadas aos arredios sentimentos.

E assim, todo dia eu acordo e me separo de você de novo. E preencho mais gavetas, com mais sonhos improváveis. Porque chega uma hora, na vida, que temos que adotar certas medidas de segurança. E ando pelas ruas somente com a minha sombra e tudo parece estar no seu lugar. Pareço seguir em frente. E, assim, vou me separando de você, em frações de tempo, todo dia de manhã quando acordo.

O problema é que toda noite eu adormeço e me caso com você de novo.
(Maíra Viana)