quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Diário de Bordo 1


Dia 22 de Setembro de 2011, as 13h... foi aí que pegamos estrada. Cheguei de São Paulo as 2 da madruga e logo seguimos viagem com destino a Santa Fé de Minas. Estou agora em Pirapora, paramos aqui para descansar em um pequeno Hotel no centro da cidade e logo mais seguiremos, hoje a noite teremos duas apresentações em Santa Fé, e tenho certeza que será lindo...

É incrível como estamos cercados de tanta coisa linda, pessoas lindas, surpresas que só me fazem acreditar mais e mais que vale muito a pena viver e fazer o que se ama...

Amanhã continuo o Diário, com mais detalhes, mais imagens e mais lembranças...

Bjusss

Drew

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Flor da Pele....

Às vezes ele andava por aí, caminhando com seus próprios passos, sem saber muitas vezes por onde caminhava, ou até mesmo pra onde ia. Questionava-se, e questionava as coisas que o acompanhavam sem mesmo sair do lugar. Por que coisas sempre dependem de outras coisas pra serem alguma coisa?
A criança, para ser feita, precisa de uma parte do homem e outra da mulher. Precisa também de coisas que a ensinarão a falar, a caminhar, aprender a "ser" alguém. Alguém precisa sempre de alguém, pra se tornar alguém que nem saberá quem.
Ele caminhava em um dia frio, e pensava que talvez o frio precisasse dele todo agasalhado pra ser realmente frio, bobagem. E frio só precisa de falta de calor. Será então que o frio não existia? Então é assim, pra que uma coisa exista, ela não precisa de outra, porque às vezes a falta de uma coisa faz com que outra exista.
A solidão é a falta de alguém do seu lado, mas ele estava tão à flor da pele que não se concentrava nisso, apenas sentia a barriga gelada e a garganta seca, talvez pela falta de resposta pra tanta coisa.
Ele lembrou do beijo da novela que o fez chorar sem ele saber porque, e percebeu que estava à flor da pele, à espera de um pássaro que viesse beijá-lo. Olhou para uma janela e diminuiu os passos. Havia alguém ali, com o olhar longe, pensou que poderia ser pra ele, isso o faria morrer.
Seu desejo se confundia com a vontade de algo que ele desconhecia. Mas porque tinha que existir algo? Ele agora sabia para onde ia, queria entrar no velho barco. Estava cansado, não ao ponto de acreditar em alguém, apenas cansado.
Chegou lá então, e foi logo lendo a placa de destino, não estava escrito nada, muito comum pra um barco sem porto, pra que teria que ter um destino se nem mesmo tinha vela.
Ficou ali, sentindo o mesmo frio no rosto e se preservando de sentir mais alguma coisa. Olhou para baixo, o barco tão rápido movia a água de forma linda, ela precisava dele pra estar assim.
Ele sentiu vontade de conhecer aquilo mais a fundo, então ele se foi, quem sabe voltaria, ou talvez nunca mais.
Seu suicídio precisava da água pra existir... coisas sempre precisam de coisas.

Venha....

Parecia mais um dia comum, acordar, tomar banho, vestir o uniforme, tomar café da manhã pegar a bicicleta e pedalar até a loja onde trabalhava.
Entre telefonemas, cobranças, contagem de notas e atendimento a alguns clientes, um em especial chamou atenção...de alguma forma , digamos, diferente. Ele estava acompanhado de duas amigas, e entre um comentário e outro desviava seu olhar em direção a ele que também olhava sem entender o que aquilo estava significando.
Uma grande confusão se fez em sua cabeça que logo foi substituída pelo aviso: hora do almoço.
Durante a refeição aquele olhar persistia em lhe olhar, mesmo não estando presente parecia que ainda estava ali, bem em frente, em todos os lugares.
Ao voltar do almoço um recado em sua mesa: LIGAR PARA... e um numero desconhecido...perguntou para alguns colegas de trabalho que disseram se tratar de um cliente que ligou pra resolver algo, talvez sobre nota fiscal, ou sobre garantia dos produtos.
Ligou..chamou 3 vezes e uma voz do outro lado disse: alô.
Ele sabia de quem era a voz, mas fingiu não saber.
- Resolvi ligar pra perguntar se não quer fazer algo depois do trabalho, poderíamos jantar juntos.
- Sim. Ele respondeu de imediato, sem saber se a resposta havia sido por vontade ou por desconcerto. Ele sabia que era vontade.
Encontraram em um restaurante no centro da cidade, a situação era um pouco embaraçosa mas atraente...o quem tinha ali? Qual era o objetivo daquele ritual inesperado?
Trabalho, família, musica, teatro, cinema, baladas entre outros muitos assuntos rechearam aquele jantar, e entre um gole e outro de vinho tinto, aquele olhar que permaneceu nele o dia todo se fazia presente.... agora fisicamente.
- Podemos ir até a minha casa e ouvir uma musica e conversar mais um pouco...
- Pode ser... foi o mesmo sim, só que desta vez com um receio maior... não sabia quem era aquela pessoa, apesar de tantas informações que poderiam não coincidir, e partiram.
Uma casa azul clara, grande, com um cheiro tão agradável que parecia casa de avó. Ao lado da cama um casal de velhinhos feitos de pano, tão perfeitos que pareciam vigiar aquele ambiente.
Próximo a TV um porta CDs em forma de guitarra e muitos DVDs de filmes e alguns musicais. O assunto parecia nunca cessar, ele nunca havia conhecido alguém assim, tão cheio de histórias e um humor incomparável.
Sentaram um ao lado do outro, uma musica agradável de fundo preenchia o ambiente, o vinho era bem melhor do que o servido no restaurante, o que mostrava um bom gosto por bebidas mais sofisticadas.
De repente uma mão em sua mão fez sua espinha se contrair e seu corpo estremecer por completo, e nas tentativas de mostrar certa segurança, o seu nervosismo se tornava mais evidente.
A mão agora passeava pelo seu rosto, ainda de cabeça baixa com medo de encarar aquele olhar que fez parte de forma tão intensa do seu dia. Silêncio.
Nem a musica parecia presente ali mais...ele olhou... e o olhar que vinha de encontro penetrou em seu corpo como uma navalha, a mão que estava no rosto foi para a nuca, apertando seus cabelos e conduzindo sua boca de encontro a dele.
Os lábios se encontraram e o seu gosto invadiu sua alma, parecia que já havia provado aquilo algum dia, mas sabia que não. Sentiu sua língua quente encostando na sua e se entregou a ela, assim como quando estamos no mar e sabemos que a onda é inevitável, temos apenas que senti-la contra o corpo, neste caso, a favor do corpo.
A mão agora já não tinham mais direção, aquele barco sem rumo e sem farol se sentiu em águas calmas, seguro e vendo estrelas... queria mais, queria ser tocado onde gostava, mesmo sem nunca ter sido tocado antes.
As roupas começaram a se despedir da cena, permitindo apenas aos corpos viverem aquilo...corpos quentes, macios, molhados agora.
A respiração parecia fazer uma coreografia não ensaiada, bocas, mãos, braços, pernas, peito, tudo se misturava naquele gosto incomparável.
As palavras deram espaço a outros sons, sons de prazer, sons de êxtase... que droga era aquela que fazia a mente entrar em transe... em transa.
Mesmo sem nunca ter vivido algo assim ele parecia saber o que fazer, apenas deixando os movimentos voluntários te guiar ...ou seriam involuntários?
Nada era pecado naquele momento... e aquele olhar daquela manhã despertou nele algo inédito, acordou todos os pontos antes nunca mencionados, pois era só dele... e ele o entregou.
O orgasmo então se fez presente, parecendo anunciar uma nova era... silêncio...silêncio.
A respiração foi caindo, assim como as roupas foram voltando a seus lugares, e o trajeto até a porta de saída, a despedida, e sua casa pareceu durar segundos...quando se deu conta estava deitado em sua cama, com dois olhos arregalados no quarto escuro, e mesmo no escuro sentia aquele olhar vigiando seu sono.
Acordou, tomou seu banho, vestiu o uniforme, tomou café da manhã e pedalou até a loja, no caminho ainda em êxtase pela noite anterior tentava lembrar dos detalhes, de repente despertou quase em frente a loja, e viu muitas árvores floridas, era o primeiro dia de primavera... havia ele sonhado tudo aquilo? Não sabia, mas tinha certeza que já não era mais o mesmo.

A Maça

“Se eu te amo e tu me amas, um amor a dois profana, o amor de todos os mortais...”

Parecia simples pra ela pensar assim, porque desde que cresceu sonhou com a chegada do seu príncipe encantado, aquele que seria apenas dela... apenas dela?
Quando cresceu descobriu que os príncipes encantados não existem, o que existe são apenas mortais, são maçãs, que no fundo são todas iguais, assim como ela, em busca de algo maior, em busca de um amor verdadeiro, em busca do “pra sempre”... mas pra sempre parecia longe demais.
A beleza dele era incomparável, algo que jamais havia visto, e quando trocaram as primeiras palavras a paixão foi a primeira vista... a paixão.
Ela sabia que era muito cobiçado, sabia que bastava chamar que outra logo aparecia, mas resolveu arriscar, mesmo sem saber lidar muito bem com o até então novo sentimento de ... ciúmes??
O que seria o ciúmes? É correto prender alguém como um santo no altar, em um mundo tão cheio de possibilidades?
Sua família era contra esse romance, até porque o príncipe parecia maduro demais pra mocinha, que juntos resolveram cuidar de suas próprias vidas, e sem ninguém saber fugiram, pra longe e pra sempre...pra sempre...
Os anos se passaram, ela estava cada vez mais ligada nesse amor que parecia só crescer, ela já sabia que ele era o escolhido pra morar junto dela, e ela queria tudo, queria o possuir de todas as maneiras, de todas as formas, queria tua alma, teu corpo, queria ele completo, mas algo ali dentro dizia que isso não era tão simples assim, porque além dos dois existia muita gente do lado de fora daquilo que ela construiu... triste pensar nisso, ou seria também a sua oportunidade de saber quem são essas pessoas?
Aquilo ainda era muito confuso pra ela, tudo se bagunçava em sua cabeça... esperava por horas ele chegar de madrugada dizendo que estava com os amigos, procurava em seus bolsos algo que pudesse o condenar pra sempre, ela queria encontrar algum motivo que justificasse tudo que sentia... mas não encontrava e aquilo estava a corroendo. O fato de estar longe de sua família e ninguém poder saber desse romance piorava a situação.
O tempo parecia passar rápido demais, parecia que ontem eles haviam trocado o primeiro olá, parecia que semana passada ela havia mudado toda a sua vida pra morar com alguém que tinha certeza ser só dela.
Sim, ela estava enlouquecendo e não se deu conta disso, ela continuava buscando provas, procurando razões, e resolveu ser mais direta...
- Você me trairia?
- Se esse amor ficar entre nós dois, vai ser tão pobre amor, vai se gastar...
Ela agora sabia o que procurava, revirou as gavetas, encontrou o que queria e tudo se silenciou ao som de dois tiros...
Ela o libertou, talvez assim o amor durasse pra sempre... e vendo ele deitado no chão da sala se sentiu satisfeita em saber que não mais o privaria do que mais venerava, a beleza de deitar...
Alguns anos depois, a princesa parecia viver a verdadeira fábula, estava presa em sua torre, a espera de algo que pudesse a resgatar, não dali, mas da vida...
Um dia foi surpreendida por uma visita de um familiar, que depois de muito procurar a encontrou, ele trazia algo pra ela... um bilhete que tinha sido encontrado nas coisas dele... sem entender muito ela abriu aquele papel já bem amassado e com os olhos cheios de lágrimas viu que era sim a sua letra... e o bilhete dizia palavras que talvez ela nunca quisesse ouvir:

“Quer se casar comigo? Agora esse amor já não mais ficará entre nós dois, vai ser tão rico amor... vai aumentar!!”

Cuida de Mim

Talvez fosse mentira tudo que ele dizia, mas era a única forma de se falar a verdade. Lembrou que fazia isso pra tentar ser maior do que era, ser inteiro, ser completo quem sabe.
Muitas vezes não precisava dizer nada, o seu silêncio falava por si só, e ele só queria um abrigo, confortável, seguro, sem brigas, sem mágoas, sem lágrimas.
Parecia que nada o satisfazia e quando essa angústia apertava o peito ele sentia medo, solidão... será que não fazia parte daquilo tudo? Tanto faz...
Por mais dúvidas que tivesse ele buscava algo, mas o que? Como poderia ser indeciso e ao mesmo tempo objetivo? Como ser objetivo quando o destino parece nebuloso?
Sentia mais pena dele mesmo do que de qualquer outra coisa, mas isso era permitido somente à ele sentir, porque no fim do dia juntava tudo e criava grandes asas, e voava, pra longe, pra bem alto, pra sempre... a noite ninguém o via, a noite tudo parecia igual, ainda mais lá de cima.
Toda vez que voava se transformava em qualquer coisa, podia ser tom, sabor e som... quando estava frio era calor e pensava as vezes que podia ser o clarão na vida de alguém, por fim era só escuridão, enquanto todos dormiam.
Queria muito mais, queria a paz que um dia alguém te ofereceu... não esquecia dela e isso o perturbava.
Pousaria em terra firme toda noite se ela o fizesse também, mas isso não acontecia e ele continuava lá em cima, olhando a todos, enquanto ninguém o via.
E na tentativa de buscar quem ele era talvez fosse mentira tudo que dizia, mas era a única forma de clamar..cuida de mim?

domingo, 4 de setembro de 2011

Alma....

Ele um dia acordou, sabia que era um dia comum mas algo o inquietava, não sabia o que era, só sabia que tinha que cumprir com suas funções necessárias, práticas e precisas.
Primeiro passo, tomar um banho pra tentar tirar de seu corpo a preguiça, a indisposição e todo o resto de vestígios deixados pelo sono, pelos sonhos... Sonhos... durante o banho imaginava todos eles escorrendo pelo ralo, o ralo da razão, o ralo da incerteza, o ralo da indecisão.
Na toalha que se secava ficava um pouco mais daquilo que depois seria lavado, estendido e depois de seco guardado em seu guarda roupas um pouco desarrumado.
Saiu do banheiro, os pés ainda úmidos, sentou em sua cama e lembrou que mal começava seu dia e já tinha que tomar uma decisão importante, qual seria a fantasia de hoje, qual figurino cobriria aquele corpo. Decidiu, trocou-se, voltou ao banheiro e escovou os dentes, em seguida modelou seu cabelo de tal forma que agradasse a quem o olhasse...enfim olhou-se no espelho...e o que via? Um menino, um homem, uma criança, um velho, um amigo, um ator... uma máscara... agora pronta pra sair e viver alguns dos muitos personagens.
Tinha pressa em sair, pressa em pegar seu ônibus, pressa em chegar a algum lugar que por muitas vezes não sabia onde.
Tudo passava depressa, os ponteiros do relógio pareciam estar contra ele, e entre muitos bom dias, boa tardes, estou bem e você... entre beijos e abraços, aplausos e demonstrações de carinho e amor se deu conta que era hora de voltar para o esconderijo.
No caminho tentava refazer o seu dia, mas tudo passou tão rápido que nada fazia sentido, só queria chegar, só queria tirar todo aquele peso que não estava só na mochila...o que deixava e o que levava daquele dia?
Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, e já era sábado e depois domingo, não entendia porque os dias eram contados assim...a tecnologia o aproximava mais das pessoas, e isso só crescia, mensagens, elogios, mais amor e carinho, talvez um pouco de interesse, desinteresse também...era muita gente, muitos nomes, muitos rostos, muitas frases, muita coisa acontecendo.
Responsabilidade... essa palavra pesava demais quando se tratava de missão... Ele agora chegou, foi direto ao espelho e se olhou... as marcas daqueles dias derretiam a máscara posta pela manhã, despiu-se, entrou novamente debaixo da água... não era o corpo que lavava, e sim a alma, a alma nua e pura, impura, suja, fadada...
Antes de deitar-se lembrou que não respondeu a algumas pessoas, precisava cumprir com isso pra que elas se sentissem bem, era muita gente...onde isso iria acabar?
Algo o sufocava, uma alegria e ao mesmo tempo uma agonia, uma tristeza... resolveu deitar-se em seu quarto escuro... não fechava os olhos, ouvia o barulho vindo de fora e lembrou que estavam todos lá, a espera de uma nova foto, um novo vídeo, uma nova frase, uma novidade... E se ele não tivesse nada disso no dia seguinte? Não consta em seus documentos de nascimento algum parágrafo que dite essas regras, então porque isso virou obrigação?
Agora era tarde pra voltar atrás, e sabia que dali a algumas horas um novo dia começaria, e ele ,após vestir mais uma de suas máscaras guardadas a sete chaves, interpretaria com primor mais um de seus personagens, qual? Não sabia....
Era muita gente esperando ansiosamente as luzes se acender e ele aparecer, mas lembrou que estava deitado, olhando para nada em seu quarto escuro...parecia que estava tudo em silencio do lado de fora...enfim entendeu que estando no fóco ou na coxia escura, estava sempre ...sozinho...